Expressão de Espiritualidade,  Textos

CASADOS PARA SEMPRE?

Com certeza, a expressão “Casada para Sempre”, sempre vai provocar interrogações rasgadas, estapafúrdias, esdrúxulas, na atual geração. Casamentos eternos, bodas de ouro, de diamante é coisa do passado, da geração das bisavós; dos avós, com alguns arranhões, e não mais dos nossos pais. A filosofia que predomina hoje é a filosofia do poeta, que diz: Seja eterno enquanto dure. O amar já não é mais o comportamento que vence barreiras, que desfaz as diferenças, que sobrevive às tempestades, que amadurece com o tempo, que conhece os caminhos da renúncia, que perdoa, que esquece. Hoje, o conceito de amor foi brutal e selvagemente relativizado. Foi animalescamente configurado às adaptações temporárias. Hoje, de maneira sorrateira, o verbo amar é substituído pelo verbo “ficar”. Na linguística popular, o verbo amar transcrevia a ideia de compromisso; já o verbo ficar descreve o contrário – ou seja, descompromisso. “Ficamos”, entretanto, ninguém tem compromisso com ninguém. Você é você e eu sou eu. Somos sem sermos. Somos estranhos que se tocam, que se beijam, que… não sabem. São amantes sem amor, no amor do não amar.

Tudo isto é resultado da degradação dos valores, sobretudo, dos valores familiares. Não há mais diálogo. Se a família está esfalfada, é porque foi brutalizada pelo silêncio. É o silêncio que adoece, pois, é o silêncio nos encontros diários. Encontros sem bom-dia, encontros no café sem levantar os olhos, às vezes no almoço sem saborear o como-vai, dificilmente no jantar do como-foi. Encontros de quem está na sala, com o silêncio de quem chega e dirige-se para o quarto. São estranhos que se conhecem, que estão próximos pela distância do indiferentismo. São o que são, porque não foram o que deveria ser. Estranharam-se! Perderam-se! Mataram-se!

Pode, sobretudo, a sociologia dizer que o casamento já não mais existe; portanto, faremos apologia à sua eternidade, sob o ângulo do “até que a morte os separe”, pois este foi e é o projeto de Deus para o casamento. O projeto de uma só carne. O fato de ser o casal, pelo casamento, uma só carne, implica na eternidade, enquanto vida houver, deste casamento. Cremos no osso-dos-meus-ossos, carne-da-minha-carne. Cremos que o cordão de três dobras não se pode romper. Cremos em caminhos, cremos em pontes, cremos no amanhecer. Sabemos que existe o amargo, mas cremos na existência da doçura; sabemos que existe a dor, mas cremos na existência da consolação; sabemos que existe a traição, mas cremos na existência do perdão; sabemos que existe o ódio, mas cremos no poder de cura do amar. Cremos em Deus, restaurador fiel. Cremos no filho, que tem vinho novo para oferecer, cremos no gemido inexprimível do Espírito Santo, no nosso interceder. Amém!

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