Acidental e essencial: política

Quando, numa dinâmica estrutural de um evento, se observa o acidental em vez do essencial, o resultado é um discurso de conveniência. Portanto, tem-se ai uma hermenêutica prostituída. É o que acontece, por exemplo, as afirmações sobre personagens bíblicos em terem sido políticos: Moisés um Estadista; Daniel um Ministro de Estado; José um Governador, e por aí vai! Eis a questão! Não que estes e outros servos de Deus não tenham tido esta projeção, e que, de alguma forma, não tenha respondido deste lugar! Mas, isto é acidental, e não o essencial! Gente, basta ler os textos bíblicos com atenção, desprovido de conveniência regada por um desejo, de quem discursa, de fazer referência condicionadora para um apoio, neste caso sustentado pela emoção, e não pela análise.

O ser Estadista, Ministro de Estado, Governador, enfim, não é o essencial, ou seja, não é simplesmente “O” “Deus quer” que os seus servos estejam nos altos escalões da administração pública, na perspectiva política: isto é acidental. O que é essencial, como no caso dos nomes citados, é a dinâmica de um relacionamento pessoal com Deus, de um processo que tem no seu cerne o reconhecimento individual da ação soberana de Deus.

Já ouvi muitos “estudos” bíblicos sobre personagens bíblicos como sendo políticos (especialmente em períodos de pleitos eleitorais – e isto já é por si só um argumento que mostra o aspecto da conveniência). José é um dos mais citados. Mas, basta uma leitura simples para se observar que a ascensão de José como “Governador do Egito” (“sob tua voz governará todo o meu povo…”  – Gênesis 41:40) não é política, é ESSENCIALMENTE espiritual! É resultado de toda uma dinâmica essencial de um compromisso com o Deus dos céus. José, em toda a sua caminhada, onde foi odiado, caluniado e injustiçado, nunca se comportou barganhado com Deus quanto sua fidelidade: apenas viveu a sua fidelidade. José viveu o temo, viveu o seu tempo, esperou no tempo: deixou Deus agir à seu querer: isto é essencial. Ele não chegou onde chegou porque era político, ele chegou lá porque era servo do Deus Altíssimo. José viu em tudo que aconteceu um propósito de Deus:

Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos aborreçais por me haverdes vendido para cá; porque para preservar vida é que Deus me enviou adiante de vós. Porque já houve dois anos de fome na terra, e ainda restam cinco anos em que não haverá lavoura nem sega. Deus enviou-me adiante de vós, para conservar-vos descendência na terra, e para guardar-vos em vida por um grande livramento. Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e como governador sobre toda a terra do Egito (Gênesis 45:5-8).

Aleluia!

Quando José se apresenta a Faraó, este lhe diz: Tive um sonho, e não há quem interprete; de ti, porém, ouvi dizer que ouvindo contar um sonho, podes interpretá-lo” (Gênesis 41:15). José, ao responder mostra o que é essencial: “Isso não está em mim; Deus é que dará uma resposta de paz a Faraó” (Gênesis 41:16). Eis a questão! O ser Governador do Egito não é o essencial, portanto, José não foi político, no sentido que se ver falar por ai. Ser Governador do Egito é o acidental, portanto, é consequência. O essencial foi perceber toda dinâmica da Graça do Eterno! Será que os “nossos” políticos de hoje escreveram uma trajetória assim? Imaculada, pura, santa. Sabem onde foi o único lugar que os adversários políticos de Daniel encontraram alguma coisa para o acusarem? Na sua vida de oração, na sua vida de santificação! No dia que os políticos evangélicos profissionais tiverem uma vida no altar como Moisés, Daniel, José, Josué, Gideão, e estiverem prontos para viverem e passarem pelo que eles passaram, ser vereador, deputado, governador, senador, presidente acontecerá como resultado, e não como uma busca paranoica movida pelo desejo bestial de cravar os dentes nos seios da grande-mãe Brasil.

Deus nos ajude!

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Frank Ribeiro

Teólogo e Psicólogo. Pós-graduado (especialização) em Bioética. Pós-Graduação em Docência do Ensino Superior Religioso. Pós-Graduado em Psicologia Organizacional. Mestre em Temas de Psicologia - Especialidade Família - Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto – Portugal, onde morou por três anos e meio, no desenvolvimento da dissertação do Mestrado. Temas de grande interesse: Missões, Hermenêutica, Conjugalidade, Relações Institucionais, Morte, Educação e Saúde Mental relacionada a Psicologia da Religião. Casado com Suely Ribeiro.