A Necessidade da Psicologia do Ser

A ausência, em certa medida, no seio “das psicologias, da falta de fundamentos ontológicos mais consistentes, metodologicamente maduros e desenvolvidos, tem levado esta – e não falo em nome de nenhuma corrente – “psicologia” a se caracterizar mais como uma biologia geral. Sem dúvida, a biologia, como ciência da vida, tem o seu lugar no contexto da exploração por qualquer perspectiva que visa analisar o ser humano. A biologia tem o seu sentido ratificado enquanto ciência da vida, quando se inscreve numa antropologia que cria, ao mesmo tempo em que é criada no arcabouço da cultura. Mas, uma psicologia que pretende firmar-se como ciência, precisa entender que o seu labor epistemológico opera do lugar do ser; pois, tira-se a subjetividade dos ditames da psicologia como ciência e profissão, e pra já não se fala de psicologia…já não sei o que é.

Se sua pretensão a se constituir ciência, a psicologia tender a esquecer o homem enquanto ser, negar-se-á como psicologia, pode ser que, na medida que se construo, firme-se como ciência sobre o homem. Sou do ponto de vista que esta é uma questão fundamental para a sobrevivência da psicologia e, por conseqüente, a sua pretensão.

Como se sabe, a pretensão científica da psicologia tem como objeto de investigação a subjetividade humana. Eis a grande questão! O que é, então, tal coisa? Bem, seguir o caminho de uma especulação de definição não é meu objetivo aqui! Então, penso em subjetividade como sendo uma estrutura ontológica. Mesmo com o termo estrutura antecipando o termo ontológico, o que temos no núcleo deste processo (da estrutura ontológica) é o fenômeno. O fenômeno do homem enquanto homem, o ser enquanto ser.

Assim, então, o que é subjetividade enquanto elemento conceitual da psicologia? O Ser do ser! Mas, este ser do Ser, só o é Sendo! Portanto, um processo fenomenológico, que se expressa em estrutura! Na pretensão a ser ciência, a psicologia, de certa forma, fala de uma cátedra cientificista, tentando apenas o estabelecimento do discurso empirista, quando, na realidade da coisa, há um movimento ontológico que sustenta a razão de ser da subjetividade: o fenômeno.

Destarte, se a questão do ser do Ser, ou seja, do ente sendo, é o fundamento para o estabelecimento do projeto científico da psicologia, justifica-se conceber o conhecimento dos entes na sua dimensão fenomenal, pois, o ser do Ser não é ser-ser, é ser Sendo. Penso no conceito heideggeriano de pre-sença. Diz: “A pre-sença é um ente que, na compreensão de seu ser, como ele se relaciona e comporta”. Então: “…na compreensão do seu ser…” é um movimento, um andar, pois, é o processo do relacionar e o comportar, resultantes da estrutura fenomenal e não uma acomodação à forma. Isto nos conduz, certamente, a ouro conceito de Heidegger: ser-no-mundo.

Este é um conceito estrutural, que nos faz olhar para a subjetividade enquanto fenômeno, como uma empiria que não se deixa enquadrar numa biologia geral, meramente; numa mera socialização especulativa da antropologia, nem no determinismo teológico das cosmogonias etéreas, uma quintessência que nega a condição humana naquilo que qualifica o “verbo que se fez carne” desta condição de ser o ser humano.

Sou sujeito concreto do ser sendo: estou no tempo: É como nos aponta Heidegger: “o ser-no-mundo é a condição ôntica da possibilidade de se descobrir uma totalidade conjuntural”. Totalidade do ser? Fenômeno!

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Frank Ribeiro

Teólogo e Psicólogo. Pós-graduado (especialização) em Bioética. Pós-Graduação em Docência do Ensino Superior Religioso. Pós-Graduado em Psicologia Organizacional. Mestre em Temas de Psicologia - Especialidade Família - Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto – Portugal, onde morou por três anos e meio, no desenvolvimento da dissertação do Mestrado. Temas de grande interesse: Missões, Hermenêutica, Conjugalidade, Relações Institucionais, Morte, Educação e Saúde Mental relacionada a Psicologia da Religião. Casado com Suely Ribeiro.