Maria Madalena: Mulher, Por que Choras?

Seja bem-vindo a João 20:11-18. Estaremos fazendo uma devocional, refletindo sobre, no meu modo de entender, uma das mais expressivas perguntas no contexto da individualidade, aplicada ao culto cristão. Culto não como um ritual litúrgico alienante do individualismo, mas como um processo dinâmico de relacionamento koinônico. Por isso esta pergunta – “Por que Choras?” – deve ser concebida como um estimulante à sensibilidade de adoradores racionais. Adoradores conscientes. Adoradores sob a sombra da cruz. Pessoas humanas, com DNS humana, como caminhar humano, desejos humanos. Apenas isto: humanos, nada mais, nada menos.

A pergunta que o Cristo Ressurreto faz a Maria, a Madalena, parece ser desfocada, considerando todo o contexto de luto, todavia, a pergunta não é fora de nexo; pelo contrário, a pergunta é posta a partir de todo o ensino de Cristo que era “pois é necessário que o Filho do homem passe por muitos sofrimentos e venha a ser rejeitado pelos líderes religiosos, pelos chefes dos sacerdotes e pelos mestres da lei; seja assassinado e, ao terceiro dia, ressuscite” (Lucas 9:22; vede ainda Mateus 16:21).

Portanto, o que há no bojo da pergunta de Jesus é um convite para vida, para vida na centralidade do Evangelho. E esta centralidade nos convida para o elemento essencial da expressão da nossa espiritualidade: a adoração.

O nosso desafio neste processo de adoração, em face ao interrogar divino, consiste no fato de que às vezes choramos por não encontrar aquilo que procuramos; em não discernir aquilo que vemos; em não entender aquilo que ouvimos. Mas, sobretudo, em transformar a manifestação da graça divina em nossas vidas em um “amuleto” diante da manifestação do amor de Deus como se fôssemos uma classe de privilegiados, numa evolução de espiritualidade.


Livro II da Trilogia da Alma

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