Eu Sou: esboço de uma Ontologia Cristológica

A expressão “Eu Sou” tem sido assunto de várias áreas do conhecimento humano. Teólogos, filósofos, psicólogos, antropólogos, sociólogos, etc, buscaram e buscam as mais variadas formas de apresentar explicações sobre o EU enquanto ser, portanto, o Eu Sou. Sobretudo, como o Eu é formado, e o que define o sujeito como indivíduo. Assim, há de se considerar uma gama de contextos que falam sobre o que leva o sujeito a afirmar o seu jeito de ser, o seu “eu sou”. Não será o meu caso! Vou falar de um “Eu Sou” auto-afirmado em Si Mesmo e por Si Mesmo:

O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Colossenses 1:15-17).

O indivíduo, enquanto sujeito autônomo, só pode ser e afirmar-se como tal, na medida em que pode identificar-se a si mesmo como Sendo; ou: a ser. O que, nesta perspectiva, tem o seu substrato, na articulação psicológica, antes de tudo, no fato do sujeito ter que conhecer-se a si mesmo na sua hominização. A hominização é, por assim dizer, o reconhecimento de ser um ser inacabado, ou seja, sendo; um ser a ser: no tempo ainda não concluído. O homem é sempre um ser inacabado. O Eu Sou, em Cristo, manifesta-se como expressão exata do ser de Deus. Eis aí o mistério na sua plenitude: Eu Sou o que Sou.

O fio condutor da reflexão é o Ser enquanto ser! E para tanto, e por escrever do lugar de pastor, tenho por referencial do Ser enquanto ser, a Ontologia Cristológica, muito embora não trabalhe uma ontologia stricto sensu. E, por assim dizer, penso o Ser enquanto ser, não a partir de uma articulação filosófica do “outro-teórico-distante”, mas, a partir do ser-Ser da pessoa do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, pois Ele é Ser, nomeadamente, enquanto ser histórico, sujeito hominizado:

 “o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz”. (Filipenses 2:6-8).

Este texto de Filipenses 2:6-8 é o meu referencial do que estou chamando de Ontologia Cristológica. Assim, embora Cristo estivesse imerso na condição de Ser ser humano, a sua posição de hominização se fez na plenitude da divindade, na sua condição de ser gente, ser o Verbo que se faz carne. Nele não há o “inacabado”, pois, Ele é antes de ser, e, por esta via, entra no mundo dos humanos conhecendo todas as suas vicissitudes, limitações, dores e desejos, e, por conta disto, e só por conta disto, é que foi possível ser ao mesmo tempo oferta e ofertante; ser oferenda e ser o Sumo Sacerdote segundo a Ordem de Melquisedeque(Hebreus 7).

Eu Sou o Filho do Homem; Eu Sou o Messias; Eu Sou o Pão da Vida; Eu Sou a Luz do Mundo; Eu Sou: Antes que Abraão existisse; Eu Sou a Porta; Eu Sou o Bom Pastor; Eu Sou a Ressurreição e a Vida; Eu Sou o Mestre e Senhor; Eu Sou o Caminho a Verdade e a Vida; Eu Sou a Videira Verdadeira.

Este é o ser-Ser de Jesus. O ser enquanto Ser. Este conjunto de auto-afirmações em Jesus nos remete para um ambiente riquíssimo. Por mais que já se tenha produzido em literatura e nas artes de forma geral, nunca será suficiente e nunca dará conta de falar tudo sobre Ele.

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