Amar é Comportamento

Amar é comportamento porque amar se aprende! Esta é a proposta que este livro apresenta. O título do livro é uma palestra que tenho trabalhado nos últimos anos, e neste caso da palestra, trabalho, especificamente, o que apresento aqui no capítulo IV. Evidentemente, a palestra é apresentada de forma bem focal, já no conteúdo do capítulo IV, o assunto é distribuído de forma mais detalhada. A proposta do livro é oferecer um conteúdo bíblico ao seu título, considerando que a palestra é temática, e foco apenas aspectos do amar como sendo um comportamento, como construção social.

Não tive nenhuma preocupação em fazer uma exposição que se articule, em total dependência, entre capítulo e tópicos. O conteúdo se vincula, certamente, todavia, não por um único canal, mas por canais interdependentes. Desta forma, se o(a) leitor(a) de “Amar é Comportamento”, ao ler determinado tópico, desejar fazer uso do mesmo em uma aula ou palestra, por exemplo, será fácil fazer isto, sem que o assunto fique fora de contexto.

O livro está divido em quatro seções capitulares.

No Capítulo I – A COMPLEXIDADE DE SER SER HUMANO, penso o casamento a partir de uma grande metáfora existencial. O capítulo tem seis tópicos, os três primeiros articulam o casamento a partir da imagem metafórica da morte (“Consciência do Morrer e Casamento”), do morrer (“O Casamento e o Signo da Morte”) e da regeneração (“Casamento e o Signo da Regeneração”); os dois tópicos seguintes falam sobre a linguagem como elemento essencial dessa nossa complexidade humana (“Linguagem: Benção e Maldição Humana”; “Usando a linguagem para abençoar”), e, por fim, no contexto da linguagem, apresento a questão do “sentido de posse” (“O casamento e o sentido de posse”).

No Capítulo II – CASAMENTO: UM CONCEITO – vou trabalhar a parte conceitual, não de forma dicionarista, pois seria uma temeridade da minha parte entrar nesta seara, mas, de forma reflexiva. No tópico “Ato Nupcial do Éden” trabalho o meu entendimento que casamento não é uma entidade que conduz duas vidas para o porto seguro do “foram felizes para sempre”. Penso que o casamento é apenas, e tão somente, um conceito. O que existe é uma POSSIBILIDADE de relacionamento entre duas pessoas tão diferentes. Amplio este pensamento no tópico “Casamento é uma possibilidade”, reafirmando, o que faço ao longo do livro, que o casamento é apenas uma possibilidade, porque é uma relação entre duas pessoas diferentes, que está em permanente processo de construção. O tópico “Valorize a pessoa da relação” é nuclear dentro desse capítulo, e se articula a partir do aforismo que diz que “não é o casamento que faz as pessoas felizes, são pessoas felizes que fazem o casamento”. Uso a filosofia de Martin Buber como pano de fundo no tópico “Casamento: Eu-Tu/Eu-Isso” para afirmar que o casamento é um dos espaços comunitários com maior grau de exigência do engajamento dialógico e, por assim dizer, que não é possível estabelecer um diálogo que seja aberto e honesto, sem que haja um comprometimento com a valorização da pessoa da relação, e na relação. Finalizo o capítulo de forma mais “afirmativa” no tópico “Amar é dialogar”.

No Capítulo III – EVITANDO O COMPORTAMENTO DE COMPENSAÇÃO – diria que este é o capítulo estrutural da articulação bíblica, a começar com o tópico “Casamento: Uma expressão de espiritualidade” no sentido de que o casamento está acima das expressões litúrgicas institucionalizadas, no contexto da prática religiosa. O tópico “O que significa ser uma só carne?” é um tópico extremamente revelador, o tópico conclui com a seguinte assertiva: “Uma só carne não transforma os indivíduos da relação numa só pessoa”. No tópico “O que é o Comportamento de Compensação?” destaco o ambiente condicionante que muitos casais se submetem a partir do binômio: se ela for submissa, eu vou amá-la – se ele me amar, eu serei submissa, que é uma arapuca para o casal. E no tópico “Características ambientais do Relacionamento Conjugal” uma ampla e profunda análise das recomendações do apóstolo Paulo no texto de Efésios 5: 22-33. E no último tópico do capítulo – A metáfora do amor cuidadoso – mostro que este é o comportamento que sintetiza o sentido do 1) Amor Sacrificial; 2) Amor com propósito; 3) Amor conquistador e 4) Amor Remidor.

No Capítulo IV – AMAR É COMPORTAMENTO – trabalho de forma conceitual, fazendo uma breve incursão a alguns conceitos do saber psicológico, sem, todavia, fugir do núcleo da proposta do livro. Diria que é um capítulo metafórico. O primeiro tópico – “Amar se aprende” – é a conclusão sobre meu entendimento quanto a esta proposição, visto que a enfatizo em todo o conteúdo do livro. Nos cinco tópicos seguintes apresento afirmações de por que amar é comportamento.

No primeiro tópico, “Amar é Comportamento – A Metáfora da Gramática”, como indico, uso um aspecto da divisão da gramática para ilustrar a afirmação. Já no tópico “Amar não é genético: Amar se aprende” mostro que o amar não está dentro de nós, mas no ambiente, pois, amar é uma construção social.

Por sua vez, no tópico “Amar é Comportamento, porque Amar é uma linguagem” mostro como nós, os únicos vivos com linguagem estrutural, temos nela uma fonte de bênção e maldição, e que no contexto da relação conjugal, esta ferramenta é determinante muito mais ainda que em outros contextos sociais.

No tópico “Amar é Comportamento, porque Amar é uma semiologia” mantenho a linha de raciocínio do tópico anterior, todavia, explorando o aspecto sígnico da linguagem.

E assim, no tópico “Amar é Comportamento, os sujeitos da relação são ambientes” apresento os cônjuges como ambientes onde a relação conjugal se constrói e acontece. Concluo o capítulo com uma breve reflexão, dizendo que “Amar ou odiar são Atos de Significados”. E amar ou odiar é sempre uma opção!

Eu te amo” – é sempre hoje. Pois, amanhã, é apenas possibilidade, vai depender, em todos os sentidos, dos Atos de Significados. Nisto consiste a nossa complexidade de ser ser humano.

Acredito que um dos nossos grandes problemas, no que diz respeito às relações amorosas, é pressupormos que o amor já está dentro de nós, como por inatismo. Embora tenhamos a base neuropsicológica na qual os nossos estímulos ambientais são recepcionados e transformados em ação, como dito, é preciso que a pessoa esteja imersa no contexto social para que o “seu neuropsicológico” responda. Por outro lado, convém dizer que o “comportamento” não é uma entidade “solta” no espaço social que “vai entrando” nas pessoas. O comportamento é um processo de interação entre a pessoa e o meio social em que ela vive, e quando se fala em “o” comportamento, têm-se por parâmetros a dinâmica do processo, pois, em termos gerais e práticos, temos uma variedade de comportamentos, a considerar pessoa a pessoa, momento a momento, situação a situação, interação a interação.

Este livro é um convite a um exercício: que amar se aprende. É possível, e é possível porque amar é uma escolha, é uma decisão. Desta forma, o livro trata de processos padrões, não entrando em questões específicas no escopo da dinâmica do comportamento. E, sobretudo, porque o pano de fundo para toda argumentação da tese do livro – amar se aprende – é feita do lugar bíblico. E o texto bíblico é um texto que, em grande medida, nos convida para trilharmos pelo caminho da renúncia.

Portanto, caro leitor ou leitora, este é um livro revelador! Desejo que sirva para algo. Pensar no assunto já é um avanço.

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