Ato Terapêutico: Igreja como Lugar de Cura 

A igreja é, e sempre será, um lugar feito por pessoas humanas! Somente isto! Mesmo tendo focos de cunho espirituais, a dinâmica na qual a igreja está envolvida é, antes de ser espiritual (ou ser percebido como tal), um espaço eminentemente humano.

Eu sou do ponto de vista que a ordem dos fatores altera o entendimento. Assim, antes de entender a igreja como um lugar de percepção do mundo espiritual, é preciso que se entenda a igreja como um lugar de relacionamentos humanos. A inversão das coisas, ou seja, querer perceber logo a igreja a partir do que se entende por espiritual, para depois, tentar viver a dimensão humana, pode transformar estes humanos em seres extremamente pedantes e insensíveis: meros humanos pensando ser deuses e deusas. O pior dos males!

É claro em todo ensino bíblico que a finalidade da cura não é a erradicação da doença. A meu ver, é possível perceber, em linhas gerais, que há três finalidades essenciais, a partir do contexto do Novo Testamento, especialmente nos evangelhos: glorificar o nome do Senhor; evidenciar as credenciais do Messias; e beneficiar o ser humano.

Portanto, ao se pensar na questão da cura, é preciso levar em consideração, pelo menos, estas três questões.

Glorificar o nome do Senhor, evidenciar as credenciais do Messias e beneficiar o ser humano. Esta é a essência quanto ao destino da cura. “Aquele que te sara” (YHWH Rafah – O Senhor que te sara) deve ser o centro para o qual toda expressão de reverência e gratidão deve apontar quanto a qualquer expressão de súplica, oração ou prece que evoque o benefício da cura: Diz o profeta: “Cura-me, Senhor, e sararei; salva-me, e serei salvo; porque tu és o meu louvor” (Jeremias 17:14). Jesus, ao curar um paralítico, mostra tanto a realidade do glorificar o nome do Senhor, como evidenciar as Suas próprias credenciais:

Qual é mais fácil? dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa. E, levantando-se logo diante deles, e tomando a cama em que estava deitado, foi para sua casa, glorificando a Deus. E todos ficaram maravilhados, e glorificaram a Deus; e ficaram cheios de temor, dizendo: Hoje vimos prodígios. (Lucas 5:23-26).

Outra passagem bastante conhecida, que mostra estas duas dimensões – Glorificar a Deus e evidenciar as credenciais do Messias – é a cura (da morte) do filho da Viúva de Naim. Diz o texto bíblico, logo depois que Cristo ressuscita o mancebo: “E de todos se apoderou o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo” (Lucas 7:16). Assim, o povo glorifica a Deus e reconhece a Cristo como profeta de Deus!

Beneficiar o ser humano. Este terceiro fator do foco da cura mostra que, o essencial – glorificar a Deus – fica atrelado, pois, este beneficiar ao ser humano, não se manifesta por si só. O ser humano é beneficiado na dinâmica da cura, tendo no seu bojo o glorificar a Deus. Diz o texto bíblico: “De tal sorte, que a multidão se maravilhou vendo os mudos a falar, os aleijados a ficar sãos, os coxos a andar, e os cegos a ver; e glorificava o Deus de Israel” (Mateus 15:31). O mudo que fala, os aleijados que ficam sãos, coxos que andam, cegos que veem são benefícios ao ser humano, sem dúvida. Todavia, o versículo mostra que Deus é nisto glorificado. Desta forma, o benefício pessoal da cura, tem que destinar o resultado a exaltar o nome do Senhor.

O presente livro trabalha, de forma objetiva e focal, a questão da cura, a partir do olhar sobre a igreja como comunidade terapêutica. Este olhar, todavia, não vai em sentido de mera construção de frases de efeito, no sentido de evocar o espaço religioso. Pensa sim, a igreja como lugar de cura, a partir do Ato Terapêutico, no entanto, fazendo um chamamento para perceber a realidade que este lugar deve ser entendido como sendo um espaço ocupado por pessoas humanas, imersas nas suas limitações e fragilidades, e que somente tendo o ensino bíblico ocupando a centralidade da vida cristã, é possível entender como se projeta a igreja como lugar de cura, e qual o real sentido do Ato Terapêutico.

Desta forma, convido o leitor a uma honesta reflexão! Buscando entender a linha central do argumento, que, no que diz respeito, o que é mais importante não querer saber qual o que é “o espinho na carne”, mas entender o motivo. Assim sendo, é preciso atentar, com um coração devoto, para o sentido do “a minha graça te basta”.

O texto, a todo tempo, faz o chamamento para a questão da prática, da vivência; ele rejeita esta forma fluída, liquidificada, que alguns setores, para não dizer a grande maioria, as igrejas ditas evangélicas (especialmente pentecostais e neopentecostais), têm assumido.

Assim, é um texto que pensa a cura como um processo integrado à dinâmica da vida, e não uma ação isolada; e, sendo a cura apenas uma variável da condição existencial do ser humano, ela deve ser pensada de forma conjuntural, e não meramente sob o aspecto da excepcionalidade. A cura é apenas um dos muitos indicativos da ação de Deus na terra, na vida das pessoas. Ela não encerra em si mesma o poder de Deus!

Desejo-lhes boa leitura, espero o vosso feedback!

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