Reflexões Existenciais

I look to you: uma confissão.

“Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os confins da terra; porque eu sou Deus, e não há outro”. (Isaías 45:22)

Whitney Elizabeth Houston (Newark, 9 de agosto de 1963 – Beverly Hills, 11 de fevereiro de 2012), nos últimos anos, antes da sua morte, viveu a destruir-se.  As drogas a destruíram como sempre fazem com qualquer um; seja rico ou pobre, branco ou negro, amarelo ou índio…em qualquer lugar.

As raízes gospel estadunidenses se refletem em “I look to you”, o último trabalho de Whitney. A canção toda é uma confissão, a confissão de uma história de vida, que encontra abrigo apenas quando “I look to you”. Um abrigo dos muitos caminhos que nós, todos nós, de uma forma ou de outra, tomados. Alguns, com a graça de Deus, têm a oportunidade de repensar o seu caminho e reconstroem suas vidas, outros nem tanto.

I look to you confessa que “I’m lost without a cause“. Quem um dia não viu todos os seus sonhos e projetos, amigos e até familiares com uma causa perdida; mas o que dói mesmo, não é imaginar ter perdido os sonhos e projetos, mas ter vivido sem uma causa. Devo crer ser esta uma das grandes tristezas que pode abater o ser humano: perceber que viveu ou tem vivo sem uma causa. Pergunto-te: hoje, nestes dias, nos últimos anos, neste momento: qual a tua causa existencial, a tua causa de vida, que, sobretudo, envolva os teus projetos espirituais? Paulo, o apóstolo tinha: “Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (Efésios 3:14).

I look to you confessa que “winter storms have come and darkened my sun”. Quem nunca se meteu debaixo dos lençóis, com um dia de sol, mas tendo sensação que uma tempestade desabava lá fora, e que o dia se convertia em trevas? Uma sensação gélida, sufocante, angustiante ao extremo! O que fazer? A quem recorrer? O salmista tem uma resposta: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Salmo 30:5b). O profeta tem outra: “Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e cura trará nas suas asas; e saireis e saltareis como bezerros da estrebaria” (Malaquias 4:2).

Por fim, a canção faz um caminho de perenes confissões, confissões de todos nós, de uma forma ou de outra. Confissões que são possíveis “I look to you”. E assim vamos, vivendo: “E quando as melodias se foram..em você ouço uma canção, eu olho você”. O caminho é longo, com montes e vales, desertos e oásis:

Depois que perco a minha respiração

Não há mais porque lutar

Não há mais pensamentos de se reerguer

Procurando por aquela porta aberta

E cada caminho que tomei

Levou-me ao desgosto

E não sei se irei fazer

Nada a fazer senão levantar a minha cabeça

Mas, como será possível, depois de tudo que fiz e me aconteceu? Como será possível levantar a cabeça? I look to you

 

O meu amor foi todo destruído (oh Senhor)

As minhas paredes caíram sobre mim

Caindo sobre mim (a chuva está caindo)

A chuva está caindo

A derrota está chamando (me liberte)

Preciso de você para me libertar

Leve-me para longe da batalha

Preciso de você para brilhar sobre mim

Uma fotografia de uma confissão! A mim, a ti, cabe pensar o nosso caminho; o percurso que estamos a caminhar; os projetos que abraçamos ou não; as amizades que construímos ou destruímos; o pedido de perdão feito ou negado.

” ……My love is all broken (oh Lord)…”. Quem nunca pensou assim?

Ah! Todavia, alguém, muito crente, pode dizer: “mas esta canção não é de crente”. O que importa? Não percas a oportunidade de olhar para Ele, autor e consumador da nossa fé. É o que importa. Curva-te, com humildade diante dele, e faças a tua confissão; só a ele, e mais ninguém, e verás que a paz, como água sobre terra seca, inundará o teu coração.

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