Você não pode copiar o conteúdo desta página
Reflexões Sociais,  Textos

Amigos, não

Depois de ter visto umas das séries que mais gosto – criminal minds – na velha mania de não desligar logo a TV, mudei de canal. Logo entrou um comercial de uma operadora de telefonia móvel. O comercial mostra uma promoção, e tal… Depois do personagem-empresa apresentar as vantagens do plano, então, o personagem, que representa o consumidor, diz: “Então vou avisar todo mundo”, ato contínuo, o outro personagem, representando a empresa, diz: “Os amigos?”. O personagem-consumidor, diz: “Não, meus seguidores”. Fiquei pensando sobre o comercial, e aqui estou, postando!

Parece-me que, ter seguidores, aos milhares, é um reforço à demanda da necessidade de afirmação no cenário da nova ordem psíquica neste protótipo social: te quero sem te conhecer, sem compromisso. Bem, mas, neste caso, a questão não é ter seguidores, nesta demanda de presença, até aí vai indo; para mim, a questão é que estes seguidores, na sua infinita maioria são desconhecidos. Esta é a grande questão! Terminei de receber um e-mail viral, a partir de um grupo indexado no facebook com o seguinte convite: “convido-lhe para acessar meu blog e ser meu seguidor no blog!” Não tenho a menor ideia quem seja a pessoa. Como segui-lo? Ele pode ser uma pessoa maravilhosa, mas como saber? Um convite para apenas visitar o blog em total sentido.

O fenômeno das redes sociais tem estabelecido um modelo de relacionamento a partir apenas do add…Não precisa conhecer, basta add! Desde que Orkut (já existe), Facebook, MySpace, Twitter, LinkedIn e outros que estão por ai nos mares da tecnologia se estabeleceram como mediadores das relações sociais, o termo amigo já não tem mais o seu sentido histórico, e termo seguidor toma outro rumo. Pois, como se sabe, ser amigo implica em seguir no sentido mais ampla do termo, sobretudo, na perspectiva de cuidado, como vai, preocupação.

E esta demanda de presença, sem implicar na existência, na vivência virtual, até recentemente, muitas pessoas usavam os bot’s, para criar perfis virtuais através de scripts para aumentar o número de seguidores artificialmente, muito embora hoje em dia isto seja mais complicado de fazer…mas nunca de sabe o que estão produzindo pelos porões das casas escuras.

Bem, ainda acredito, e devo continuar acreditando assim por toda vida, que amizade é uma construção diária, seguindo passo a passo (que implica pessoa a pessoa) de uma conquista, assumindo riscos da ambiguidade humana. Todo amigo é um seguidor, e ele é uma realidade do real; um seguidor, nem sempre é amigo, e não há garantias da sua existência.

Quanto seguidores você tem? E amigo? Eis a questão! Prefiro um amigo de verdade, presente, real; que um milhão de seguidores, ausentes, virtuais.

Comentário

Deixe o seu comentário

%d blogueiros gostam disto: