Amar é Comportamento - Livro I,  Recorte de livros meus,  Série Conjugalidade

Segredos, imbróglios, fantasmagorias, conluios.

Na relação conjugal, os cônjuges estão, em todo tempo, de alguma forma, conscientes ou não, expostos a comportamentos dramaturgos. E, ao viver na cena desse palco, não é fácil manter os papéis. Sobretudo, a considerar uma atividade que requer intenso envolvimento, uma vez que não existe, como dito, cenas que sejam absolutamente fixas, rígidas. Além de não ter as cenas totalmente fixas, marcadas e rígidas, o que tornaria a representação “instintiva”, o texto que os atores têm em mãos, como disse, é difuso! Pois, mesmo sendo uma narrativa descritiva, na qual se possa entender o enredo, há muitos pontos obscuros, muito segredos, imbróglios, fantasmagorias, conluios.

Os dois atores principais, conscientes ou não, terão que construir as novas cenas a partir do novo papel. Os atores terão que perceber, antes mesmo das cortinas do palco abrirem-se, que na narrativa de outras cenas em que participaram, eles não eram os protagonistas. É verdade que, em alguns momentos, “roubavam” a cena, e tornavam-se o centro das atenções, quer no papel de filho, de irmã ou irmão, de tio ou tia, de cunhado ou cunhada, de enteado ou enteada, enfim. Mas, agora, nesse novo enredo, esses atores estarão no centro, serão protagonistas. Sabem agora que aquilo que viveram serve apenas de uma difusa memória para o papel que terão que desempenhar, em cenas que vão ser construídas em movimento. As vozes de “outrora”, em dado momento, podem ajudar, mas, em outros momentos, poderão atrapalhar e muito. Assim, os atores terão que treinar habilidades imagináveis, para em tempos mínimos, definir o rumo de cada cena. Às vezes o tempo de um piscar.


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Desculpa! Mas, escrever este texto deu trabalho!