Especificidade da linguagem

Especificidade da linguagem: o outro – um desconhecido ser. Há dúvidas que nós, seres humanos, somos seres de linguagens, e que por elas somos atravessados das mais diversas formas; que as suas multiformes expressividades são determinantes na construção dos nossos processos relacionais: do cultural ao científico.

Pela linguagem nos expressamos, dela precisamos. Por ser um fenômeno, e por assim dizer, o dinamismo é a sua sobrevivência, por isto ela se transforma, e, por conseguinte, transforma as pessoas, transforma a sociedade, transforma a cultura.

Todavia, como se sabe, o sentido da linguagem, dizendo de forma diferente, a linguagem faz ou só faz sentido no outro enquanto ser co-específico na dinâmica da filogenia. Mas isto não é o núcleo no processo da linguagem, pois dela, filogenia, se serve todos os seres vivos, e por isto a vida se mantém: existe um padrão de linguagem na co-especificidade da filogenia.

Outrossim, absorvido pela dinâmica da co-especificidade filogênica, o ser humano tem a sua existência dimensionada, em relação aos outros seres vivos, pois é, também, coisa que não ocorre em outras categorias de seres vivos, absorvido pela ESPECIFICIDADE ontológica. Com isto, se na filogenia, no outro, o ser humano se manifesta na co-especificidade, na ontogenia se manifesta apenas na especificidade.

Portanto, a linguagem, nas suas multiformes expressividades, na especificidade, vai sempre nos colocar, no outro, diante de um desconhecido ser. E este é o fator que nos faz seres encantadores, às vezes quase angelicais, outras vezes, seres amórficos, às vezes diabólicos, demonizados. Portanto somos uma mera possibilidade existencial. Somos espectros com potencial humanizante. Somos palavras procurando tabernacular, e somente o outro nos oferece esta possibilidade.

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