Espiritualidade e comportamento

(os três primeiros parágrafos deste texto estão no livro “Eu Sou”, pp. 116-117, com ligeiras alterações ali no livro)

Sabemos que a experiência religiosa, e, por assim dizer, a experiência espiritual é, na sua essência, fundamentalmente pessoal. Podemos comunicá-la, mas jamais transformá-la em padrão comunitário. Todavia, o nosso comportamento espiritual, que invariavelmente, é em si comportamento social, é, por conseguinte, de domínio público. Portanto, pode, e como pode, ser submetido a análise do observador.

Desta forma, por comportamento espiritual, quero dizer de todas e quaisquer ações, na dinâmica da vivência social, que tem como elemento sustentador destas ações, quer em discurso ou não, elementos que configura o espiritual.

Pois, como se sabe, o espiritual não é uma ação “entificada” alheia às nossas relações humanas, sociais. As nossas aspirações, buscas, sistema de crença, o nosso credo, enfim, não são ações isoladas pertencentes a um mundo desconhecido; elas são, e estão, e nascem, dentro da perspectiva das nossas relações humanas, sociais, históricas, temporais. Espiritualidade é comportamento social, e, portanto, compromisso social.

Como pastor de convivência comunitária, nestes rincões do Brasil afora, nos púlpitos de nossas igrejas, já ouvi algumas asneiras (de asno) por parte de muitos pregadores. No azáfama de quererem impressionar, ao pegar um dos elementos mais perigosos no contexto da dominação religiosa – o microfone -, deliram. Como deliram! Recentemente, em uma festividade de senhoras, o pregador convidado, aos berros, inflado, numa incontinência verborrágica, dizia: “Hoje de tenho um palavra profética para o povo de Deus…e quero dizer que não estou preocupado com ninguém aqui, não estou preocupado com o pastor da igreja…pois o meu compromisso é com Deus, e não com homem…”. Estes não sabem que espiritualidade é um comportamento… É um compromisso!

Deus no ajude!

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