Cuidando do Cuidador

Os servos de Deus adoecem e morrem, isto é fato (2 Reis 3:14); têm doenças inomináveis (2 Coríntios 12:7-9); têm doenças freqüentes (1 Timóteo 5:23); sofrem conflitos (Lucas 22:54-62); têm crise ministeriais (1 Reis 19:8-21). O nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo sofreu os terrores do medo, as agruras do abandono e o pavor da tristeza e solidão, quando no Getsêmane e no patíbulo do calvário experimentou o silêncio de Deus (Mateus 26:36-46;27:45,46).

Há uma expressão muito comum entre os pastores, num tom de desabafo e frustração: “Pastor não tem pastor”. Fico pensando o que diriam os missionários: “missionários não têm cuidadores”, mais ou menos isto! Uma dura realidade. Os poucos e eficientes trabalhos de cuidado integral do missionário não correspondem, nem de longe, a demanda. Há muito por fazer, e cada servo de Deus que experimentou a sua doce e maravilhosa graça, deve pergurtar-se, a cada anoitecer e amanhecer: o que eu tenho feito por missões, para que aqueles que integralmente se doam para evangelho, possam ser integralmente acolhidos e cuidados. Por pouco que venha fazer, a contribuição de todos se tornará o muito da Igreja para estar num lugar de consolação para homens, mulheres e famílias inteiras que lançam mão ao arado e vivem integralmente para o evangelho. Se vivem integralmente para o evangelho precisam ser cuidados integralmente. Kelly O’Donnell, na introdução do livro “Cuidado Integral do missionário”, que ele organizou, argumenta:

“ ‘Posso lidar com a doença e a pobreza’,  a mãe de quatro crianças disse-me com lágrimas nos olhos. ‘Somos comissionados a viver entre este povo que verdadeiramente amamos. O que eu não tenho certeza é se quero ouvir do meu marido quando ele disser que recebeu ameaça de morte. Não seria melhor se ele só guardasse isto para ele mesmo?’”.

É possível dimensionar a angústia, o medo, a apreensão desta mulher? Não fácil dizer nem sim nem não! O missionário é um ser humano como outro qualquer, está exposto de forma visceral às demandas da vida. Sabemos do inequívoco cuidado de Deus, quanto as nossas demandas externas e internas (2 Corintios 4:15-18). A graça de Deus, sabemos, é a nossa suficiência, mas, muitas vezes, ela não é suficiente por si só como expressão miraculosa, pois, para alcançar a sua suficiência em nós, precisamos de cuidados de um cuidador (2 Timóteo 4:6-22).

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