Cooperadores de Deus

“Porque nós somos cooperadores de Deus…” (1 Cor. 3:9). Esta é uma daquelas expressões que me coloca em estado de vigília, sempre que a leio. Pois, me faz refletir, entre tantas coisas, na excelência em relação à limitação; na soberania em relação à dependência; no eterno em relação ao transitório. Pois, Deus cooperar conosco é a ordem natural das coisas. Mas, quanto nós, humanos, no mais absoluto sentido do termo, cooperamos com Deus, é uma oportunidade que temos imergirmos no sobrenatural.

Uma imersão que nos coloca diante da nossa humanidade, portanto, com atitude de cooperadores. E uma das ações cooperativas com Deus mais importantes, senão a mais importante, é fazer Cristo conhecido. Ação esta que até os anjos anelaram fazê-la(1 Pedro 1:12), mas, que não lhes foi possível, exatamente por faltar-lhes a condição básica para isto: ser humano. Assim, ser cooperador de Deus, na dimensão de fazer Cristo conhecido, é ser humano. E ser humano é a condição determinante para que o plano da salvação fosse implementado (João 1:1, 14). Isto se estabelece toda base relacional entre o divino e o humano e vice-verso.

Todos aqueles que têm a oportunidade de servir a Cristo devem faz sabendo que é um privilégio, uma honra. Ninguém que, sendo ministro do evangelho de Cristo, se ponha numa condição de merecedor. Se somos alguma coisa, somos porque a graça inefável nos alcançou na dimensão mais profunda do amor de Deus para nossas vidas. Ser cooperador de Deus é um chamamento para o exercício da humildade, pois, sob hipótese alguma, tínhamos condições de sustentar tamanha honra.

O termo grego para cooperador (synergós), que também pode significar ajudador, co-obreiro, muito presente no apóstolo Paulo (Rm. 16:3; 1 Cor. 3:9; 2 Cor.1:24; Fil. 2:25; 4:3; 1 Tess. 3:2; Fm.1,24), de onde se origina o termo sinergia. Que em termos gerais significa a união de força na realização de um trabalho, de uma atividade; em outras palavras: “efeito ativo e retroativo do trabalho ou esforço coordenado de vários subsistemas na realização de uma tarefa complexa ou função”.

Assim sendo, se alguma coisa fazemos, se alguma projeção alcançamos, de algum público temos, é resultado de uma dinâmica sinérgica, onde, de um lado, existe uma ação soberano de um Deus misericordioso, e de outro lado, paradoxalmente, existe uma absurda condição humana desejante de se deixar ser usar por este Deus. Assim, nenhum pastor, professor, pregador, missionário, enfim, nenhum humano que se disponibiliza a ser portador das boas novas, deve pensar que se torna arauto porque tem alguma capacidade. “Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus” (2 Cor.3:5).

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