Consumidores de Oráculos

(No livro “Epithymia: Entre o Gospel e o Evangelho”)

Todos nós, seres humanos, em grande medida, não consumimos por necessidade, mas por demanda. Somos consumidores fabricados! Os especialistas em psicologia da propaganda têm uma máxima infalível: Se oferece ao público apenas o que ele quer consumir. Da quantidade de roupas, sapadas, celulares, carros, perfumes, até gêneros alimentícios que, muitas vezes, estragam no armário, pois a nossa necessidade não foi suficiente para consume-lo, apenas a demanda foi suficiente para comprar. Roupas que, muitas vezes, a única vez que usamos é quando provamos na loja…enfim!

Todavia, na perspectiva dos consumidores de oráculos, a questão torna-se essencialmente delicada, pois o consumo passa pela autorização profética de outro! Oráculo, num sentido amplo, pode ser uma pessoa, um objeto, um lugar ou uma fala, um dito, um mando. No campo da religiosidade da vida moderna-líquida, os oráculos tornaram- se produto de consumo. Metamorfoseiam das mais variadas formas: pessoas que se auto-proclamam “o maior pregador de milagres do Brasil”, pedaço da cruz, água do Rio Jordão, porções de areia da terra prometida, a gruta dos milagres (“entre na gruta e todos os seus problemas desaparecerão”), por ai vai…Uma histeria coletiva servida em pratos proféticos!

A simplicidade daquilo que justifica o sacrifício de Cristo – a relação pessoal com ele, por meio do outro -, perde sentido, pois, a relação com Deus, imposta pelos mercadores da Palavra a milhares de pessoas que vivem com grandes necessidades materiais e emocionais, é dimensionada como mero consumo. “Espiritualidade” é consumo, “Deus” é produto! É a negação da realidade absoluta de Deus. Pois no consumo, o produto é somente produto…Deus torna-se fetiche!

Que Deus tenha misericórdia da nossa alma, e que o sacrifício de Jesus Cristo na cruz do calvário não perca totalmente o seu sentido para nós.

Que Deus nos ajude!

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