News,  Reflexões existenciais

Não tenha medo de abrir a porta.

Durante todo período da minha formação em psicologia eu estive intensamente envolvido com a psicologia do luto e da morte! E ainda estou, todavia, mais dividido com outros temas.

Sempre vi a morte como subproduto da vida; em linguagem bíblica, nomeadamente, paulina, o morrer é lucro, como subproduto da vida, que é Cristo (Filipenses 1:21). Para Martin Heidegger a “única possibilidade possível, é a possibilidade da morte”. O homem é, em essência, um ser-para-morte. Negar esta condição é negar a condição da vida, é negar a condição de existir. Então, por que a morte e o morrer nos faz sofrer tanto? Porque somos, por conta do pecado, seres fundamentalmente egoístas. Se temos prazer em viver, a morrer deveria ser a celebração da vida vivida.

A Graça de Deus é o remédio para o medo da morte; mas, para vivenciá-la é preciso ser imerso no mundo do morrer: “Em verdade, em verdade vos asseguro que se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, permanecerá ele só; mas se morrer produzirá muito fruto” (João 12:24). Quem tem medo de morrer não é digno de viver; não pode ser grão de trigo. Quem tem medo de morrer não é digno de abrir a porta da vida. Se se celebra a chegado de um bebê, deve-se, na mesma alegria e proporção, celebrar a sua partida, quer na velhice, ou mesmo ainda no cheiro do nascimento.

Então, morrer e viver se entrelaçam, na tessitura da existência, ponto a ponto, passo a passo, momento a momento, no caminho. É um caminho longo, que provoca dores, mas é um caminho…a única forma de perceber um caminho é dando um passo por vez…a porta não abre só quando giramos a chave; ele se abre quando giramos a chave, giramos a maçaneta e a empurramos.

Todos nós, de uma forma ou de outra, estamos num caminho. Na verdade: caminhos! Não sei qual ou quais caminhos você caminha! Mas, não tenha medo de girar a chave, é uma necessidade existencial. Mas, também, não tenha medo de girar a maçaneta e empurrar o porta, se a porta abrir para dentro; se abrir para fora, puxe.

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Desculpa! Mas, escrever este texto deu trabalho!