Expressão de Espiritualidade

Cultura da Conveniência Religiosa

Não há como negar a presença da religião no contexto social! O cabedal de produção, em todos os sentidos, no campo da vida religiosa, é prodigiosa; todavia, ainda não dar conta do fenômeno! E como todo fenômeno social tem uma dinâmica que se nove no mesmo sentido das mudanças no contexto cultural e todas as suas variáveis. Alias, por conta de ser um fenômeno imbricado no contexto do telhado social, em todos os tempos, ignorá-lo é ir na contramão do processo social; será a mais clara e pública declaração de preconceito.

Todavia, como qualquer fenômeno social, o religioso, tem um universo de possibilidades. Como por exemplo, a organização litúrgica que as religiões operacionalizam para dar conta da sua sobrevivência. Por assim dizer, e, neste caso, particularmente falando do Cristianismo, um aspecto desta organização litúrgica é a formação de ministros de culto. Estes assumem um papel no contexto religioso com múltiplas funções e aplicações. Estas funções e aplicações vão deste das celebrações de cultos domésticos até o envolvimento com demandas políticas partidárias, no contexto interno e externo da vida comunitária religiosa.

Das três grandes religiões monoteístas – judaísmo, cristianismo e islamismo -, talvez tenha sido o cristianismo que historicamente tem sofrido maior fragmentação. Os motivos desta fragmentação são diversos. Não é objeto desta apresentação fazer este percurso histórico desta fragmentação. Todavia, do ponto de vista da análise de base, é possível pensar que tal fragmentação tenha a sua raiz na interpretação, pois, neste sentido, basta pensar na Reforma Protestante.

A Reforma Protestante abriu a porta para um universo de espaços religiosos na perspectiva do Cristianismo. Nos últimos 500 anos o Cristianismo fragmentou-se, para o bem e para mal, de forma incalculável. No ramo do Cristianismo, surgiu os protestantes, designados como filhos da Reforma. Entre estes, ao longo dos anos, por motivos diversos, surge uma infinidade de denominações evangélicas, e entre estes, ao seu tempo, a cerca de cem anos surgiu o movimento pentecostal. Hoje, sabe-se da grande influência do movimento pentecostal tem alcançado em escala mundial. Sem falar no surgimento, a cerca de 40 anos, do movimento neopentecostal.

Como não poderia ser deferente, num movimento de massa como é o movimento evangélico-pentecostal, no seu interior acontece as mais diversas expressões na relação do fenômeno religioso com o contexto social. Uma destas expressões, é quando a formação. A maioria das denominações evangélicas-pentecostais não tem o “Magistério Teológico Oficializado”, a exemplo da Igreja Católica, ou de outras denominações evangélicas históricas como os Presbiterianos, Luteranos e Metodistas, que têm uma estrutura de Magistério Teológico para a formação dos vocacionados.

Este contrassenso dos evangélicos-pentecostais da não exigência da formação acadêmica formal e institucional, na opinião do autor desta apresentação, parece gerar uma série de problemas na ordem relacional com as demandas socioculturais. Uma leitura que se faz é bem simples: por conta das exigências sociais, no contexto da vida interna das denominações, tornam-se cada vez maiores as exigências da membresia (os sócios) quanto a formação do seu líder, tem feito surgiu um tipo de cultura que chamo de “Cultura Religiosa da Conveniência”. Como funciona esta cultura da conivência? De forma fraudulenta! Vou dar um exemplo bem prático, a partir da observação da realidade. Imagine uma determinada instituição que representa uma denominação evangélica, por ocasião da eleição da Mesa Diretora e demais órgãos, como os cargos são eleitos individualmente, cargo a cargo, um determinado  candidato a um dos cargos, é dono de uma certa “Faculdade de Teologia”, resolve enviar a todos os membros da instituição, segundo ele, à título de “reconhecimento pelos serviços prestados”, um certificado honorífico de “Mestre em Aconselhamento Cristão”. Bem, os homens de bom senso, ao olharem para aquilo, numa impressão de péssima qualidade, prontamente, resgaram e lançam à lixeira; mas, sem todos têm este bom senso. Ocorre que alguns passam à configurar os seus currículos ministérios, tal título. É de lascar! Esta é a Cultura da Conveniência religiosa: muita gente quer ter título, mas não fazem por onde, apenas, se expõem ao ridículo de quer ter. Bem, o que dizer dos títulos de capelão, juiz de paz, juiz arbitral, e o escambau.

Deus nos ajude!

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