Expressão de Espiritualidade

Deus fetiche da religiosidade

Aurélio define fetiche como sendo “objeto animado ou inanimado, feito pelo homem ou produzido pela natureza, ao qual se atribui poder sobrenatural e se presta culto…”. Em psicologia fetiche é uma parafilia (normal ou patológica), quase sempre de cunho sexual: o objeto do fetiche é a representação simbólica, é um objeto parcial e não representa quem está por trás do objeto.

Karl Marx fala, em sua teoria econômica e política sobre o fetiche, quando critica, por exemplo, meios de comunicação de massa, da mercadoria e do capital. Desta forma, para a escola marxista, “o fetiche é um elemento fundamental da manutenção do modo de produção capitalista”. Desta forma, conforme o fetichismo, nesta perspectiva, “consiste numa ilusão que naturaliza um ambiente social específico, revelando sua aparência de igualdade e ocultando sua essência de desigualdade”.

Posso pensar num fetichismo da religiosidade? Creio que sim! Uma mera relação simbólica de uma liturgia estéril. Assim, na modernidade liquida da religiosidade se produz o inominável: símbolo sem sentido. Deus é um símbolo sem sentido, pois, nesta relação liquidificada, não há sentido em Deus: ele é apenas a coisa que deve satisfazer as suas necessidades, matando, assim, o mais demasiadamente humano: o desejo.

É como diz os comunicadores da prosperidade da vida-moderna líquida: “Coloque Deus contra a parede e exija os seus direitos de filho”. É isto aí! Deus: o fetiche da esquizofrenia da vida-moderna líquida da religiosidade…

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