Expressão de Espiritualidade

Caso do Cabo Bruno: Uma reflexão sobre o “ex”.

Muitos dos meus colegas pastores não concordam comigo quando afirmo que A SALVAÇÃO NÃO ALTERA A NOSSA HISTORICIDADE. Tenho esta afirmação num escopo mais geral quanto a minha percepção sobre a salvação e Cristo e a sua relação com a nossa vida enquanto sujeitos inseridos num contexto histórico e social. Creio que a salvação incide sobre o nosso ser como um todo, certamente, pois, um dos componentes da salvação, a santificação, nos é recomendada que seja integral (1 Tessalonicenses 5:23; vede ainda Colossenses 3). Mas estes processos (conforme o texto de Colossenses 3) está falando de uma dinâmica de produção de sentido da nossa salvação, como lugar de transformação. Ora, a incidência da salvação sobre o nosso ser como um todo, não significa que, a salvação em si há de alterar a nossa historicidade. De forma alguma. Pelo contrário, salvação há de fazer pensar e assumirmos todas as responsabilidades quanto a nossa historicidade.

Bem, é neste fazer pensar e assumir todas as responsabilidades quanto a nossa historicidade que tomo o caso do Cabo Bruno como exemplo. Bem, não vou falar aqui quem era o Cabo Bruno, recomendo que se pesquise em algum buscador (Cabo Bruno), e vão ter muitas reportagens.

Tal qual o que aconteceu com Cabo Bruno conheço inúmeros outros casos: aceitou Jesus na prisão, tornam-se pastores (sabe lá Deus e o Diabo como) e depois são assassinados. Não duvido que ele tenha tido um encontro radical com Cristo, é possível que sim. Pelo amor de Deus, não se entenda aqui que ele deveria ser morto pelo que fez no passado, dado ao fato de que a salvação não altera a nossa historicidade. Uma coisa não tem relação com a outra.

Vale lembrar que no caso do Cabo Bruno ele não teve tempo para viver a experiência de “ex”. Visto que, a sua consagração/ordenação/posse como pastor se deu no dia 23/09/2012 (Igreja Refúgio em Cristo, em Taubaté) e ele foi morto dia 26/09/2012.

A questão central do argumento está em torno de como as circunstâncias que cercam a questão do cristianismo no Brasil, nomeadamente, o evangélico, e ainda mais agora o movimento neopentecostal.

O Cabo Bruno, segundo a reportagem, “foi condenado por participação em mais de 50 assassinatos na década de 1980 na capital paulista, quando integrava um esquadrão da morte. Nos anos de cárcere, converteu-se ao cristianismo, tornou-se pastor evangélico e se casou com uma cantora gospel”.

Quero tomar o caso do Cabo Bruno e fazer uma pergunta que deve ser entendida de forma geral. Pergunto: a historicidade do Cabo Bruno, “condenado a 120 anos de prisão”, fazia sentido com a história, dentro do contexto da salvação com a do irmão em Cristo Pr. Florisvaldo de Oliveira? Pense bem!

O Pr. Florisvaldo de Oliveira foi quem que deixou a prisão com o beneficiado com o “indulto pleno da pena no dia 23 de agosto de 2012, por bom comportamento”, mas a sua historicidade de “Cabo Bruno” ainda lhe pertencia. Reportagem dar conta que na cerimônia de posse como pastor, o pedido de oração da esposa foi pelo “sucesso do novo pastor”[1]. Mesmo que, desde que saiu, tenha evitado falar com a imprensa, a sua publicidade era inevitável. A sua historicidade era inevitável.

Pergunto: A sua historicidade de qualquer “ex” faz sentido com a sua publicidade de “Pastor Evangélico”? Penso que não! Por vários motivos. Mas, sobretudo, pelo fato de vivermos em sociedade e todas as nossas ações, boas ou más, se fazem espalhar por uma grande rede se sujeitos humanos com disposição de todo tipo de ações, inclusive para a vingança!

Outro fator, e este, a meu ver, é a pior situação, que é quanto ao discurso dos “exs”, que com raríssimas e honrosas exceções, giram mais em torno do que eles realizaram na vida pregressa entes de Cristo, que o que Cristo fez com eles no processo da salvação. Nos seus testemunham falam mais do mal que fizeram, do que o bem que Cristo lhes fez. Sem falar naqueles que tiveram a vida em envolvida com drogas e magia negra. Quem já ouviu um testemunho deste sabe muito bem o que estou falando.

Que Deus nos ajude!


[1] http://atarde.uol.com.br/brasil/materias/1455420-cabo-bruno-matava-por-nao-acreditar-em-mudanca.

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