Reflexões Sociais

Um bicho inominável.

O ser humano é apenas um bicho inominável. Inacabado desde a sua concepção. Complexo por constituição, onde milhares de gametas se perdem, para que, quando um sobrevive, possa aventurar-se, sem garantias absolutas, em construir o animal mais imprevisível da existência: inominável, impenetrável, surpreendente, impermeável, que se acessa iludindo e iludido.

Um bicho não como caracterização desconhecida da existência possível, do não catalogado, mas como não-possível essencial. Bicho que se metamorfoseia; que arranha sem tocar; que envenena sem morder; que deixa para o dia seguinte, e para o outro dia ainda, o que não foi possível fazer hoje. Imaterialidade difusa no corpo, que se contorce nos desejos da arbitrariedade do devir que se manifesta na verbalização da nulidade do outro. Eu sou isto! Eu sou bicho.

É temerário inserir “é”, “eu”! Pois, um, o, bicho não-possível essencial não se insere no tempo, não se conjuga; tempos verbais não se imprime nele; não se estabelece topografias, muito menos cartografias; não existe devir. É mistério sem razão de ser do propósito deste ministério: a revelação. É mistério perdido, não estabelece laços, não cria história.

O ser humano é apenas bicho irrevelável; pontos minúsculos que se insere na escuridão de si, por si e para si. Agente catalisador da digitalização de pixels do que se imprime branco sobre branco, preto sobre preto: é cor de si mesmo. É a pronúncia do ausente; é pronunciável, mas não é pronunciante. Imprime, mas não se mostra; decalca, mas não marca.

O ser humano é apenas, e tão-somente, um bicho corrosível. É célula mutante que percorre a cavidade de Si, nas entranháveis aberturas do que seria possível, que já não é mais, pois já foi tocada por este inominável ser; é provocador de maceramento do fadigado ser que tenta sobreviver junto a sombra de si mesmo.

Bichos, homens presos aos seus próprios corpos, na ausência de si, por si e para si. Mas, vamos sobreviver, é o que espero!

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