Reflexões Sociais

Sem consciência histórica

Sem consciência histórica, qualquer manifestação transformar-se-á húmus para os políticos de carreira.

Tenho lido inúmeros comentários feitos por pastores, bispos, apóstolos, profetas, doutores em divindade e políticos “crentes”, “evangélicos”, “protestantes”, “pentecostais”, “neo-pentecostais”, filósofos, sociólogos, psicólogos, psicanalistas, médicos, advogados, administradores, geógrafos, biólogos, ufólogos, e escambau, etc, etc, feitos nas redes sociais, nomeadamente, no Facebook, sobre os protestos no Brasil. A todo instante surge um protesto, um boicote, um posicionamento contra isto e aquilo! Sem falar nas tão famosas NOTAS DE REPÚDIO. Chega a ser chato, em muitos casos! Todavia, sobre o essencial, a cada dia, só se observa o distanciamento; o distanciamento do núcleo da dignidade humana.

Não sou especialista em Política, nem na sua história, mas, ao ver todo este mar de gente nas ruas, um incontável número de vídeos na internet; um número astronômico de post no Facebook, resolvi falar alguma coisa.

Quero expor as minhas indagações (pode ler-se: indignação) a partir da seguinte hipótese:

Sem consciência histórica, qualquer manifestação transformar-se-á húmus para os políticos de carreira.

Muito embora os organizadores das manifestações apresentem “uma pauta de reinvindicações” (e muitas contaminadas com o viés político-partidário), em discursos holofotezados e influenciados pelo reflexo dos processos midiáticos, bons ou maus, sempre se observa elementos circunstanciais frágeis demais no universo da demanda social como um todo, como por exemplo, os “vinte centavos”. Sou favorável que se faça manifestações no contexto da essencialidade da coisa: contra os políticos, o governo, a corrupção, enfim, contra as misérias que afundam o Brasil, todavia, que as manifestações não cerce o direito de ir e vir as pessoas.

Um protesto que mobiliza apenas pela informação imediata, superficial, sem vínculos históricos com o objeto da mesma, será, inegavelmente, tão passageira quanto a falta de conhecimento dos processos sociais que têm construído este país.

Uma revolução não se faz SÓ a partir do FACEBOOK, mas, nomeadamente, antes de tudo, a partir do interior das residências, a começar por pais conscientes, éticos, honestos, exemplares; passando pela sala de aula, para que, se construa, na base da sociedade, por meio das crianças, já aí, cidadãos. Homens e mulheres que respeitam todas engrenagens sociais que fazem com a mesma possa funcionar. Se o povo brasileiro (empregados e patrões; alunos e professores; políticos e eleitores; médicos e pacientes; pedestres e motoristas, etc) não sabe respeitar, por exemplo, uma simples faixa de pedestres no trânsito, como saberá respeitar os ditames que regem os fundamentos da política, da economia e da justiça? Como? Como?

É preciso educar, para que, com consciência histórica, consciência da sua própria história, toda e qualquer manifestação de protesto tenha uma genealogia de sentido. Pois, sem consciência histórica, qualquer manifestação transformar-se-á húmus para os políticos de carreira. E não tenham dúvida que, estes senhores, especialistas na sobrevivência em situação de caos social, como é o caso do Brasil nos últimos 519 anos, hão de tirar proveito deste protesto nas próximas eleições; usarão fotos e vídeos, dizendo: estávamos lá, e agora, já candidatos a alguma coisa, ou apoiando alguém, lhes farão promessas, e vós acreditareis, pois, não há consciência histórica.

Continuem a protestar! Mantenham-se nas ruas, sem violência, sem vandalismo, sem badernas, mas, com indignação contra todas as misérias e injustiças existentes neste país, no entanto, por favor, façam com consciência histórica, pois, sem consciência histórica, qualquer manifestação transformar-se-á húmus para os políticos de carreira.

Por fim, peço, pois, a todos que: ressuscitem” alguns personagens para ver se o fantasma deles desperta a nossa consciência histórica, e nas próximas eleições possamos fazer uma escolha consciente, por uma consciência histórica.

“Ressuscitem”:

o Zuleido Veras, dono da construtora Gautama. Sabeis vós, todos, jovens e velhos, dele?

– o juiz (ou ex) João Carlos da Rocha Mattos: Sabeis vós, todos, jovens e velhos, dele?

Daniel Dantas, na época dono do Banco Opportunity: Sabeis vós, todos, jovens e velhos, dele?

– José Dirceu ex-Ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula: Sabeis vós, todos, jovens e velhos, dele?

– Marcos Valério, dono da DNA Propaganda: Sabeis vós, todos, jovens e velhos, dele?

– Luiz Estevão de Oliveira Neto, ex-senador: Sabeis vós, todos, jovens e velhos, dele?

– Eduardo Jorge Caldas Pereira, ex-assessor do FHC: Sabeis vós, todos, jovens e velhos;

– O ex-juiz Nicolau dos Santos Neto: Sabeis vós, todos, jovens e velhos…E tantos e tantos outros…Eles precisam está “vivos”, não como sujeitos no contexto de suas autonomias, tendo na medida da lei, o direito de ir e vir preservado (inclusive o direito de ser ou ficarem presos), mas, como CONCEITOS no contexto da nossa consciência histórica, social e política.

Não tenho espaço e tempo para falar de: José Genuíno, Paulo Cunho, Paulinho da Força Sinal, Paulo Maluf, Delúbio Soares, et, etc, etc, Dilma, Lula…e toda esta turma que a Lava Jato prendeu.

Lembremo-nos sempre: o Brasil não é da Família Sarney (MA), não do Renan Calheiros e do Collor de Melo (AL), não é do Jader Barbalho (PA), os Gomes (CE), os Alves (RN), não é dos ACMs (BA); dos Arraes (PE), os Cunha Lima (PB), dos Maias (RJ)… Onde mais? Onde? Falem-nos!

Assim, senhoras e senhores, a corrupção no Brasil que é endêmica, histórica e resistente, só poderá ser combatida com consciência da história social e política. Pois, Sem consciência histórica, qualquer manifestação transformar-se-á húmus para os políticos de carreira.

Visite este dois sítios:

https://www.transparencia.org.br/  ; http://www.controlrisks.comhttp://www.transparency.org

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